quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Manoel Monteiro

Manoel Monteiro da Silva ou simplesmente Manoel Monteiro, como assina seus trabalhos, nasceu em Bezerros, Pernambuco, no dia 4 de Fevereiro de 1937. É o mais importante cordelista brasileiro em atividade, com uma produção densa e diversificada, abarcando toda a área da atividade humana.
Seguro no ofício de escrever versos rimados e metrificados, suas narrativas são envolventes e prendem o leitor do princípio ao fim, além da influência verbal, própria dos grandes mestres. Em razão da qualidade de sua produção, a literatura de cordel está sendo indicada para a grade escolar de várias cidades brasileiras.
 Em uma entrevista que ele fez disse:
“(...) Nunca imaginei a hora / E muito menos o dia / De que os versos singelos / Que meu estro humilde cria / Faltos de seiva e luzir / Pudessem me conduzir / Ao seio da Academia.
Desde os tenros anos, lia / Folhetos e assistia / Embolada e cantoria / Ao som da viola, então, / Pressenti a vocação / Dentro do peito mexendo, / Flagrei-me cedo escrevendo / “Romances” por profissão.


Aos 12 anos, e vão / Daqui pra lá uns sessenta, / Que este poeta inventa / História em versos que são / Feitos com tanta paixão, / Tanto ardor, mas pouco brilho, / E tanto me maravilho/ Desvirginando o papel / Que cada novo cordel / É como parir um filho.
(...) A Bezerros cada ida / De meu pai era freqüente / Na volta trazer-me um “livro” / E o livro comumente / Tinha como autor da rima / João Ferreira de Lima / Ou um Milanez fluente.
Eu bebia na vertente / De um Leandro envolvente / Um Zé Duda comovente, / Zé Camelo e seu Pavão, / De Silvino e lampião / Conhecia suas sagas / Lendo os folhetos de Chagas / Um mestre nesta questão.
(...) Mas isso só não continha / Minha ânsia de voar, / Quis contar história minha / Então comecei criar. (...) Cada história que criava / Escrevia e divulgava / Em cópias que duplicava / Passando de mão em mão, / fazendo nova versão / De “folha solta ou volante”, / Qual num passado distante / Fez o trovador de então.
Fui do Recife ao sertão / E no Pajeú de Flores / Fiz amigos cantadores / E quis ser da profissão, / Mas sem voz, sem vocação, / Sem convite, sem parceiro, / Sem faturar um cruzeiro / Pra não parar o engenho / Mergulhei com todo empenho / Na vida de folheteiro.
(...) Com vento enfunando o pano / Dessa vida peregrina / De feira em feira e de praça / Grande, média e pequenina / Vendendo verso a cantar / Terminamos por chegar / À cidade de Campina. (...)”


FONTE:.http://www.overmundo.com.br/overblog/manoel-monteiro-e-o-novo-cordel-entrevista

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